segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Espetaculo

Ola, Primeiramente eu iria fazer um video para o trabalho do meu professor, mas hoje decidi fazer por post mesmo e juntar a experiência que tive ontem para complementar o trabalho.

O Trabalho tem como base o livro Sociedade do Espetáculo, de Debord,  onde teriamos que fazer um desafio onde mostrase o nosso espetaculo e imaginário e o que ele leva para quem o assiste. Nao demorei muito para escolher qual seria meu maior desafio, eu mesma. Sim eu mesma! Eu sei que sou a unica pessoa que pode me prejudicar e me impedir de fazer algo, com isso quis entender mais como é meu espetaculo, como as pessoas me veem, com isso criei um questionario com 5 perguntas simples e pedi para algumas pessoas ou grupo responderes.

Vamos a essas pessoas ou grupo: Grupo Familiar, Grupo de colegas de faculdade, Mae, Irma mais velha, dois ex namorados meus (pedi para mais mas só os 2 responderam), grupo de amigos proximos e grupo de amigos mais distantes.

As respostas foram... incríveis! Um consenso foi que tenho uma luz, algo que não compreendo pois não faço questão de parecer especial. Gosto de me mostrar forte, independente e diferente das outras pessoas da sociedade, esta é minha personagem básica na sociedade e não me foi surpresa de reparar que todos compram esta ideia. As pessoas que me conhecem mais intimamente conseguiram colocar detalhes do meu espetáculo que nem eu mesma sabia e também algo que reparei a pouco tempo e estou tentando modificar, para essas pessoas que tocaram neste assunto confesso que fiquei muito emocionada, pois este ano passei por muitas coisas complicadas e ver que mesmo depois de meses ainda tenho estas pessoas incríveis na minha vida e acho q é a coisa que mais tenho que agradecer aos deuses. Uma amiga minha falou bem isso, que muitas pessoas gostam de comprar esta personagem que faço, não sei se por ser mais fácil, conveniente ou porque nao me abro.

Entre as respostas o mais surpreendente foi a parte da Lembrança, pois acho que nenhuma falou a mesma que eu falaria mas todas foram muito tocantes, mesmo as que nao tinham nada de mais, como as pessoas que me conhecem tao pouco e falaram q nao tinham. E estranho pensar isso, como as pessoas me imaginam e me veem. E nisso posso explicar o ocorrido a noite passada.

Bem, nao vou explicar o que é LARP , ontem joguei um LARP baseado na obra Ensaio Sobre a Cegueira. Antes de continuar tenho que informar q todos os participantaes estavam cientes da cituação e ninguem foi obrigado a fazer nada que nao quisesse. Bem , continuando, eramos um grupo de 5 pessoas vendadas por 28 horas, tinhamos personagens e cada um ficava cego por algum motivo, era levado para este lugar onde ficavamos reclusos e tinhamos que nos virar. A parte facil foi ficar cega, a mais dificil foi sobreviver, pois, se voce conhece o minimo sobre a obra, sabe que os doentes são oprimidos pelo exercito, e nos tambem fomos.

Meu personagem era uma parte de mim que gostaria que fosse mais forte, ou verdade. Eu era uma garota que nao tinha emprego, casa ou família....por escolha.... e com isso eu pude colocar muito de mim em muitas situações, como uma hora em que os personagens que era guardas estavam nos oprimindo e subornando. A coragem que tive de enfrentar a situação onde estava em estrema desvantagem, nao só por que eles enxergavam mas também era mais fortes do que eu, nao sei se de onde veio mas era algo muito pessoal. Reparar nas pequenas coisas da vida, como o sol, chuva, frio, comida, querer um banho, um chá, um abraço da irmã foram as coisas que mais machucaram e, confesso, ficar no personagem era algo muito impossível, mas mesmo assim todos mantemos o máximo possível.
Ficar, sozinha, vuneravel e sem poder ter o basico acho que é o maximo que uma pessoa consegue sair de seu espetaculo e ir para fora.

Nisso tudo, na pesquisa e no Larp, posso falar q com certeza aprendi muito sobre mim, sobre um lado que eu nao fazia ideia que tinha, um lado que ja conhecia e, novamente uma força de sobrevivência que muitas vezes esqueço que a tenho. Passei por esta situação de me obrigar a sobreviver duas vezes e, posso dizer com certeza, que nas duas eu estava disposta a fazer de tudo para sair desta situação, talvez ate mesmo a morte. Estranho isso, pensar nisso, como nos seres humanos somos frágeis mas tao fortes em sociedade.E nao ache que o jogo acaba quando se tira a venda, mas nas horas que se seguem você ainda continua com tudo na sua cabeça, martelando e mostrando coisas que na hora você nao teria percebido e como as coisas simples continuam sendo extremamente importantes. A coisa que mais queria quando o jogo terminou foi tomar um banho, depois dormir e quando acordei, depois de umas 4 horas, eu demorei para entender o que estava acontecendo a minha volta, e alguma hora eu pedi para minha irmã mais nova me abraçar e comecei a chorar, de saudades, me culpei por nao ter falado com ela ontem pois a imersao faz voce achar mesmo que se passaram dias no jogo e que você nunca mais vai voltar a sociedade, pois enchergar ja nao é o meis importante.

Mas o mais surpreendente disso tudo e observar como as pessoas interpretam seus espetaculos nesta louca sociedade em que vivemos e mais estranho ainda reparar que elas quase nunca saem deste conforto criado, nunca são elas mesmas!